quarta-feira, 5 de outubro de 2016

[Crônicas – Devaneios] Desinteresse, vácuo e insegurança: A geração do pânico de desilusões


Por Guilherme César



Como sempre, aquele papo de domingo com os amigos somado a um bom texto e algumas experiências pode render uma vontade irresistível de escrever. Não só isso, a inspiração vem junto com bons momentos de reflexão e uma análise fria sobre o que nos cerca. Desta vez, eis que o assunto é o vácuo nosso de cada dia, o típico desinteresse e a insegurança dessa geração hiperconectada e assustadoramente fria. Antes de começar de fato, gostaria de deixar claro que a minha função aqui não é fazer um texto de autoajuda, nem mesmo criar rótulos, determinar cientificamente os erros dessa geração, ou coisas do tipo. Aqui, nessas linhas deixarei a minha reflexão, com base no que vi, vivi e senti. Se você concorda, ótimo! Se você se identifica, meus pêsames! Se discorda, vá em frente! No mais, senta, que o devaneio será longo...

Meu amigo leitor, minha cara leitora, mesmo que você seja o clone do Brad Pitt, ou a irmã gêmea perdida da Scarllet Johansson, posso afirmar que em algum pequeno momento de sua vida, você foi ignorado (a) por quem estava querendo conquistar! Se você não foi, parabéns, diferentão (ou diferentona), você não sofreu algo tão doloroso como o vácuo. Aquela mensagem carinhosa que você envia no meio de uma tarde para seu affair e que, estranhamente, a pessoa visualiza e não te responde, pode doer mais do que um tiro à queima roupa. E infelizmente isso é comum. Muitos gurus do amor dirão que a pessoa está apenas se fazendo de difícil, eu já acho que ele (ela) não está a fim de você. E se realmente está se fazendo de difícil, corre para bem longe dessa pessoa, amigo. A vida já é repleta de problemas e dilemas para se unir a alguém que exalta a famosa glicose anal, é o típico ou soma, ou some.
Durante um bom tempo a sociedade estampou para quem quisesse e quem não quisesse ver que “se fazer de difícil”, se “valorizar” lhe caracterizava como uma pessoa boa, integra e que é para casar. Se fazer de difícil faz com que você seja disputada (o), tenha uma boa reputação, seja bem vista (o) pela sociedade. Grande merda! Fazer cú doce não lhe deixará mais interessante, te fará mais esnobe. Ser difícil de se conquistar não é o mesmo que ter caráter, não é realmente se valorizar. Se valorizar é justamente não mandar 300 mensagens para aquela pessoa que nunca te responde. Se valorizar é perceber que se a pessoa visualizou e não respondeu, ela não serve. Você não precisa ficar com 30 pessoas em uma festa, mas também não precisa ignorar todos os “Oi” do inbox. E o primeiro ponto a se considerar é esse, a geração atual, e parte da passada, tem vivido no eterno “ou 8, ou 80” sem nem ao menos perceber o quanto isso é toxico para todos nós.
Se você, menina, sonha em conhecer alguém legal, mas se recusa a deixar qualquer pessoa se aproximar, você continuará apenas sonhando. E se você, amigo, acha que vai pegar todas na balada e na sorte, como se fosse o Faustão naqueles sorteios, vai agarrar um dos cupons no ar e ele será o premiado, você pode estar enganado. E isso vale para todo mundo. Talvez, o cara do “oi” no Facebook, pode ser legal, ou pode ser um otário, mas você só saberá se der a chance para ele passar do “oi”. Da mesma forma, aquela menina que você transou e no dia seguinte não ligou de volta, pode ser, meu caro, a mulher da sua vida. E o oposto também vale, tanto para homens, quanto para mulheres.
Temos um cenário bastante caótico, em que uma decepção traumatiza tanto essa geração que eles entram em pânico quando aparece uma nova chance. É tanto medo de se iludir que ninguém se apega, que ninguém dá atenção. Todo mundo se pega, todo mundo se diverte, mas pouquíssimas pessoas amam. Pois poucas pessoas tem coragem para isso.
A palavra reciprocidade é grande demais para os corações pequenos que nos rondam. É muito crush para pouca coragem de se declarar. É muito medo de levar um fora, para pouca coragem de arriscar um “eu te amo”. E quando ouvem essa frasesinha mágica de três palavras sai, ela assusta, ela faz a pessoa se afastar, ela é desacreditada. Pois tem tanta gente com medo de sofrer, que poucas conseguem acreditar que o amor pode ser real. E assim o amor morre.
E muitas vezes, morre antes de sequer começar, antes da semente sequer ser plantada. Morre ali, na “mensagem visualizada as 19h20”, morre ali no “online há 5min”. A geração tumblr deixou claro que amar doí e todo mundo ficou com medo disso. A geração 8 ou 80 gosta de ser intensa, mas não sabe amar com intensidade. E os que amam, sofrem com a falta de reciprocidade. É muito medo de se apegar, para pouca vontade de se jogar. E, novamente meu amigo leitor, amar é se jogar. Cair de peito aberto, seja no raso, no profundo, no abismo. Amar é ir fundo, mesmo que não exista profundidade. Amor não mata, desilusão não mata, o que mata é desistir. Desistir de tentar amar, por medo de sofrer. Desistir de viver por causa de uma desilusão. É mais bonito ser “sad”, é mais bonito cultivar uma vida em preto e branco, fantasiar com o crush que te ama apenas dentro da sua mente, do que arriscar ir atrás dele ou deixar outras pessoas se aproximarem.
Vejo tantas pessoas surgindo do nada, atraindo as outras como moscas e puft, sumindo sem deixar rastros. Essas pessoas, que em um dia juram amor eterno e no dia seguinte te excluem das redes sociais, elas reforçam o medo dessa geração de se apegar. Pedófilos, estupradores e pessoas que amam partir corações, são esses os seres que fazem com que todos tenham medo de amar. Como vou me apaixonar por alguém se do outro lado pode ter um maníaco que vende órgãos? Como vou me apaixonar se ao invés de vender meu coração, ele apenas o quebre? Não, não estou dizendo para você se apegar no primeiro instante a alguém que de inicio parece se encantadora, mas que todos os seus amigos acham que é um serial killer. Estou dizendo para que você se permita conhecer, se permita responder uma mensagem sem antes julgar alguém e ignorá-la, que tenha bom senso.
Eu, na minha adolescência (não muitos anos atrás), passei por ambos os extremos. Já fui o cara tímido que manda o “oi”, na esperança de começar uma conversa legal, e já fui o cara “sad” que só fica off-line, com medo de uma nova desilusão. Contudo, em ambas as fases, eu preferi aprender com os meus erros ao invés de desistir. Aprendi que nem todo mundo vai querer conversar com você, pois sua foto de perfil pode não lhe agradar, ou porque pessoalmente você não se enquadra na lista de mais de 50 itens de “como deve ser o príncipe encantado”. Aprendi também que muita gente quer apenas alguém para servir como estepe emocional. Muitos querem apenas alguém para receber carinho, enquanto elas amam outro alguém que não lhes valoriza. Ou querem alguém só por uma noite, para aquecer seu corpo e depois ir embora antes do café da manhã. Aprendi que muitas pessoas tem tanto medo de sofrer que não dão oportunidade para outra pessoa lhes fazer feliz. E aprendi que muitos temem a intensidade. Muitos se assustam com a coragem de quem não teme amar.
Acho que essa é a maior contradição que já vi. Muitas pessoas sonham em encontrar sua alma gêmea, mas se alguém apaixonado aparece, elas fogem com medo. Amar intensamente, nessa geração de desinteresse, te torna uma aberração. Amar e demonstrar amor lhe torna louco. Afinal, qual a lógica de se declarar publicamente se seu namoro pode acabar amanhã? Amigo, a lógica que vivemos o HOJE e hoje devemos amar, pois o amor eterno depende de nós para ser eterno. E se um amor acaba, que pelo menos tenhamos a consciência que amamos com todas as nossas forças e que sim, nosso coração partido pode ser remendado quantas vezes for partido.
Então, se você é do tipo que tem medo de se apegar, ou é do tipo que gosta de ignorar, pare! Sua situação nunca mudará se você não se permitir viver, se você não se permitir sofrer. Mas não exagere insistindo em alguém que não te quer. Se ele(a) visualizou e não respondeu, siga em frente, CONTINUE A NADAR! Dê atenção para quem te retribui atenção, busque a reciprocidade do seu sentimento, tenha carinho por quem tem carinho por você. O medo nos impede de sermos felizes, mas também nos impedimos de sermos felizes quando não focamos em algo reciproco. Se permita amar.

Claro, se for amar, ame com todas as suas forças. Declare-se, dê boa noite, bom dia, diga que ama. Não tenha medo de sofrer. Poste fotos, faça poemas, cante! Ande na chuva de mãos dadas, viva os clichês. Viva o seu amor. Faça-o ser eterno e se não for, pelo menos terá aproveitado cada segundo como se fosse o último. Seja diferente, não seja frio! Pessoas que adoram exaltar seu coração frio no fundo sofreram demais ou tem muito medo de sofrer. Não seja covarde, ame. Não seja esnobe, visualize e responda. E acima de tudo, seja claro. Se não for se apegar, deixe isso claro logo no inicio. Se não quer um amor, deixe isso claro. Mas se for amar, ame com o coração, com a alma. Afinal, nada mais deprimente que uma geração com pânico de ser feliz. 


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